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Carne bovina fica para os argentinos, e Europa consome produto uruguaio
Sáb, 13 de Setembro de 2014 09:00

Carne bovina fica para os argentinos, e Europa consome produto uruguaioOs melhores restaurantes da Europa já dependeram da Argentina para fornecer os melhores cortes de carne bovina. Agora, eles não conseguem a quantidade suficiente, porque as políticas criadas para proteger os consumidores argentinos estão levando as exportações do país latino às maiores baixas em 13 anos.

"Às vezes você simplesmente não recebe carne argentina", disse Alberto Abbate, dono da churrascaria argentina Santa María del Sur, no sul de Londres. Ele começou a oferecer carne do Uruguai e do Chile nos últimos 12 meses e, agora, os produtos desses dois países respondem por cerca de 25% do total.

A Argentina foi o principal exportador de carne bovina nos anos 1930 e o número 3 há uma década. Neste ano, o país caminha para o 11º lugar, atrás da Bielorrússia, segundo dados compilados pelo Departamento de Agricultura dos EUA. A parcela de carne bovina que o país vendeu para o exterior caiu mais de dois terços em comparação com a de 2005, quando o governo introduziu políticas para garantir a oferta interna.

"Não vimos uma situação como essa antes", disse Miguel Schiariti, presidente da câmara de comércio do setor, conhecida pela sigla CICCRA, por telefone, de Buenos Aires. "Nós estamos perdendo nossa identidade no mercado externo".

A presidente Cristina Kirchner e seu falecido marido e antecessor, Néstor Kirchner, focaram nos consumidores internos, em um país em que a carne bovina é uma marca. Em 2005, o governo impôs uma taxa de 15% às exportações de carne e, no ano seguinte, introduziu um sistema de licenças que permite às autoridades influenciar a oferta.

O Ministério da Economia reteve as licenças de exportação no mês passado, disse um funcionário informado sobre a decisão. Os controles visam frear os preços da carne bovina, que subiram 66%, excedendo a taxa de inflação do país, de 38%.

Unidade desativada
O país está vendendo ao exterior, atualmente, menos de 7% do gado produzido, comparado com os 24% de antes de a taxa ser implantada, em 2005. O consumo interno está subindo: cada argentino comeu 63 quilos de carne bovina em média no ano passado, o maior total desde 2009.

A CICCRA estima que 137 matadouros foram fechados na Argentina desde 2008 e que cerca de 14 mil pequenos produtores de carne deixaram o setor.

A brasileira Marfrig Global Foods SA desativou sua unidade na província de Córdoba no mês passado, entregando a Alberto Torres uma indenização de US$ 20.234 após 25 anos no abate de bovinos.

"Eu dediquei toda a minha vida a cortar carne em uma linha de produção. E agora, como farei para alimentar minhas duas filhas?", disse o homem de 47 anos. "As políticas precisam mudar para permitir mais exportações".

Exportações americanas
A exportação de 205.600 toneladas de carne bovina do ano passado representa uma queda de 73% em relação à maior alta em 36 anos, de 771.500 toneladas, registrada em 2005, segundo dados compilados pelo IPCVA, uma agência público-privada de promoção da carne bovina, com sede em Buenos Aires.

Os embarques caíram 9% entre janeiro e junho, para 91.025 toneladas, na comparação com o mesmo período de 2013. É o nível mais baixo para um primeiro semestre desde 2001, quando um surto de febre aftosa atingiu o setor.

As exportações argentinas de carne bovina para a Europa despencaram 65% na última década, enquanto os embarques australianos para a região subiram 152% e as exportações americanas se multiplicaram por 31%, segundo dados compilados pela Comissão Europeia.

Argentinos trocam carne por soja
A carne bovina foi relegada a um status secundário entre os produtores argentinos, que começaram a usar a terra para cultivar commodities mais lucrativas, disse Hugo Echevarrieta, proprietário da tradicional churrascaria La Brigada, que tem entre seus clientes as lendas do futebol Lionel Messi e Diego Maradona.

"Agora é tudo soja", disse ele, em entrevista em seu restaurante no bairro de San Telmo, em Buenos Aires. "Por que um produtor vai esperar três anos criando um animal que ele não sabe se o governo o deixará exportar se ele pode conseguir mais dinheiro em seis meses produzindo soja, que é facilmente exportada sem uma licença do governo?".

Fonte: Centro de Pesquisas Intercorp – Bloomberg

 

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